
Uma das razões que me fizeram comprar o ingresso com menos de uma semana de antecedência foi a Feist. Sinceramente não sei de onde tirei que ela cantaria no festival. Só me toquei que ela não estava na programação no sábado, já no Parque O`Higgins (duas estações de metrô da minha casa).
A primeira imagem que eu tive do Lolla foi uma feira de ciências ao ar livre. Stands sobre diversas organizações (Greenpace ou uma que defendia o uso medicinal da maconha). Senti muita pena das pessoas que ficaram plantadas naqueles quiosques que não chamavam a atenção de ninguém.
Sim, a comida era cara. Mas se considerarmos que paguei uns 16 reais por um combo de cachorro-quente no Planeta Terra, pagar doze reais por uma pizza (magrinha, mas deliciosa) era de boa. Tinha muita opção, até quiosque de sorvete artesanal.
As pessoas não pareciam se importar com a não-venda de álcool, mas acho que se importariam até demais se não pudessem entrar com câmeras. Não consigo entender porque levantam suas compactas ou outras melhorzinhas para registrar o show. Como se as fotos não fossem ficar tortas, tremidas e com cabeças na frente do vocalista. É difícil de entender porque tem gente que prefere assistir ao show através do visor. Quando a banda toca os primeiros acordes e vejo todas aquelas máquinas digitais na minha frente, sinto uma agonia enorme.

Três palcos do Lolla. O Parque O'Higgins ainda tava vazio, mas tinha muita gente andando de lá pra cá
O discurso ecológico era balela. Tínhamos que andar bastante para encontrar um simples lixeiro e, quando finalmente chegávamos ao mais próximo, era só para vidro (ou lata ou plástico). Por isso tinha muito lixo no chão ou no recipiente errado. Na hora de comprar uma bebida, o atendente colocava o conteúdo no copo porque a garrafa deveria ir para reciclagem. Nada como gerar mais lixo.
O grande esquema de reciclagem durante o festival era esse: voluntários recolhiam os copos que éramos quase obrigados a jogar no chão num grande saco plástico, materiais que seriam encaminhados para reciclagem após o evento. De fato, nada era feito no festival. Isso só servia para que os voluntários ganhassem almoço e entrada gratuita ao Lolla no dia que trabalhassem.
Fui sozinha, mas encontrei no sábado uma colombiana-que-vive-em-Santiago que havia conhecido numa festa da república de uma amiga francesa. No domingo, não nos achamos porque os celulares não tinham sinal. Acabei topando com um pessoal de engenharia da Usach que havia conhecido numa festa da universidade e que estudam com outra amiga francesa. Não fiquei tão forever alone.

Final do show do MGMT: tinha que escolher entre foco e enquadramento
Os melhores shows para mim foram o imaginário da Feist, MGMT (fiquei pertíssimo do palco até tocarem Kids, às 19h22, e pulei tanto nessa música que desidratei e quase perdi minhas pernas), Foster the People e, sei lá, o grupo chileno Los Jaivas (apesar de ter tirado uma soneca esperta na grama). Foo Fighters teria sido muito massa se não fosse o som baixo. Tudo bem que eu estava muito longe, mas a minha voz era mais alta que a do Dave Grohl! E as 60 ou 100 mil pessoas já eram esperadas. O Parque O`Higgins também sempre foi aberto, perfeito para o som se dissipar. Mas não existe solução para esse problema? Nem para a atração principal? Isso também contribuiu pro show do Arctic Monkeys, no sábado, ser miado (isso e o público “fome”).
No final das contas, vi muitos gringos, senti falta de outras manifestações artísticas e descobri que um festival grande nada mais é do que muita gente andando de um lado para outro. Também conheci um outro nível de banheiro químico: com papel higiênico, pia, torneira com água, sabonete e espelho!