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O legal de fazer esses programas pequenos em vários lugares é conhecer as diferenças de cada país. Queria ter ido ao cinema nos Estados Unidos, mas sempre estávamos muito cansada pra assistir alguma coisa. E conhecendo nosso histórico de dormir em filmes, era melhor não arriscar. Agora estamos só descansando aqui em Kingston (capital da Jamaica) e fomos ao cinema daqui com mamãe e o padrasto.

O cinema fica num shopping minúsculo que fica aqui pertinho de casa e tem só duas salas de exibição. Pior é que eu acho que só existe esse cinema na cidade inteira. Duas salas para mais de 600 mil habitantes (é claro que fui ao google, nem imaginava que a cidade era mais populosa que Floripa): essa é a Jamaica. Enfim. Era uma quarta-feira e resolvemos assistir It’s complicated (Simplesmente Complicado) com a Meryl Streep. Compramos os ingressos (600 dólares jamaicanos cada um, o equivalente a 12 reais), compramos pipoca fria e fomos procurar um lugar. A sala não era tão pequena quanto eu imaginava. Mamãe falou que a outra era bem menor. Tudo tinha um clima muito nostálgico com aquelas poltronas vermelhas antigas que fecham quando a gente levanta. Tinha suporte para o refrigerante, pelo menos. Mas sabe o melhor? Uma cortina cobria a tela!

Começaram as propagandas. Uns quinze minutos. Comemos boa parte da pipoca e começaram os vídeos sobre o país. Aquelas famílias felizes fazendo alguma refeição num parque feliz. Negros, brancos e amarelos, todos vivendo felizes e sem pobreza por perto. O beija-flor símbolo do país, os poucos prédios da capital, belezas naturais, tudo de bonito da Jamaica ao som do hino nacional. Sim, o hino. Quando todas as pessoas levantam de suas cadeiras, a maioria coloca a mão sob o peito e ficam murmurando a letra. Levantamos por educação, claro, mas é tudo muito surreal. O hino acaba, todos sentam e começam os trailers. 20 minutos de trailers. Minha irmã já tinha perdido a vontade de assistir ao filme quando ele finalmente começou.

Nos tocamos, então, que o filme não tem legenda e que iríamos nos virar com nosso inglês. O filme é bom, os atores não têm aquele sotaque péssimo dos jamaicamos, estávamos entendendo, nos envolvendo com a história, quando… Pause. Uma tela nos avisa que chegou a hora do “Intermission” e que a lanchonete está aberta. Fecham-se as cortinas. Rimos. Compramos uns chocolates, mas só depois de muito tempo o filme volta. Uma referência a The Graduate e a história me ganha. É muito engraçado, envolvente, os atores são perfeitos e foi um dos melhores filmes que vi esse ano. Lembrando que era uma comédia e não entendemos todas as piadinhas que apareceram no filme. Mas o pior era ouvir os jamaicanos rindo. Rindo alto e muito. Nunca vi povo tão efusivo, sério. E quando as cortinas se fecharam pela última vez, o pessoal aplaudiu. Bem, eles aplaudem o pouso do avião também. Vai entender.

Acho que valeu a experiência. E a sala não tem a melhor estrutura do mundo, mas talvez eu prefira essa relação intimista com a tela do que toda aquela modernidade do Cinesystem de Floripa (que foi o melhor cinema que eu já fui na vida, enfim). Hoje volto lá pra assistir Invictus, alguém já viu?

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