Uma semana antes do dia do trabalho, percebi que teria cinco dias de folga e não tinha planejado nenhuma viagem. No meu único feriadão até julho, ou seja, a única oportunidade de visitar meus amigos do jorufsc Ingrid e Giovanni, que estão fazendo intercâmbio em Buenos Aires. Paguei caro por essa brincadeira, mas lá fui eu me confundir com pesos chilenos e argentinos. Sobrevoei a cordilheira à noite, com medo da turbulência e na primeira classe (!!!). Não sei se foi confusão da Lan ou uma justificativa por eu ter pago tão caro pela ida, mas em momento algum disseram que era passagem de primeira classe. Só descobri quando sentei na minha poltrona mega confortável e tive um jantar delicioso.
O aeroporto Ezeiza fica longe do centro, mas pegar o ônibus que te leva até seu hotel/hostel por 30 reais é tranquilo de madrugada numa Buenos Aires sem trânsito. Nas três primeiras noites, dormi na casa da Ingrid e do Gio. Eles moram em San Telmo, bairro turístico conhecido pela feirinha dominical e o banco da Mafalda. Ah, é claro que fui recebida por uma baita frente fria.
Dia 1 – caminhar até rasgar a meia
Depois de conversar até tarde na véspera, acordamos tarde e almoçamos uma pizza no centro (depois de sacar pesos argentinos no banco). Eles já tinham me avisado que os porteños vivem num ritmo maluco. Sempre apressados, não têm paciência nem para cliente. A pizzaria Güirnes comprovou isso: me vi em frente ao caixa sem nem saber o que pedir e a Ingrid me salvou. Nesses lugares, quem pede só fatias come em pé.

Fácil de dançar, né? Enquanto eu tirava essa foto, uma mulher ficou me xingando porque atrapalhei o caminho dela. Um exemplo da paciência porteña.
Caminhamos pelas principais avenidas do centro: Florida (que nem tem flores), Corrientes, 9 de julio e etc. Passei pela Casa Rosada, pelo Obelisco, a livraria El Ateneo e uns tantos outros pontos clássicos de Buenos. Deixamos a Ingrid em um dos campi da Universidad de Buenos Aires (UBA) e voltei para casa andando com o Gio porque os ônibus tavam lotados (imagine então o metrô). Foi nessa hora que senti que minha meia tinha rasgado, mas só esta maranhense mesmo para sair de bota e não de tênis.

El Ateneo: linda, mas nada convidativa. Não tive muita vontade de ficar olhando os livros =(
Depois que a Ingrid chegou da aula, fomos a um barzinho na praça Julio Cortázar (que é conhecida como Serrano, mas eu prefiro o escritor) em Palermo Viejo e encontramos os amigos intercambistas do casal. Todos buena onda. Não sei se todo mundo sabe, mas a vida noturna de Buenos Aires começa muito tarde. Fomos para esse bar entre meia-noite e 1h. Depois das 3h, as venezuelanas/mexicanas/outro país a sua escolha ainda queriam ir para um boliche (balada), mas acabaram desistindo.
Dia 2 – quando eu não vi o Abaporu
Nosso sábado começou tarde por causa do bar da véspera e ficamos esperando a Mari Rosa dar sinal de vida dizendo que havia chegado na cidade. O ônibus dela atrasou porque vinha do Paraguai, coitada. A Mari também faz Jornalismo na UFSC e está de intercâmbio em Rosário, mas nem tem blog.

Momento formiguinha com a Mari, que também é bicho do mato para fotos
Comi meu primeiro alfajor Havanna e fomos ao Malba (Museu de Arte Latinoamericano de Buenos Aires). Vi obras interessantes do acervo, outras que eram apenas uma lâmpada dentro de uma caixa que se acendia com um botão. Destaque ++ arte para uma escultura/robô de dois Bush’s (sim, o ex-presidente americano) transando com porcos. A obra tinha sensores de movimento e os Bush’s ficavam olhando para os visitantes. Fiquei emocionada.
Não conseguimos percorrer todo o museu porque chegamos perto da hora de fechar e fiquei de voltar lá na quarta-feira (estudante entra de graça) para ver o Abaporu e o autorretrato da Frida Kahlo. Já era noite e caminhamos por Palermo, bairro do Malba e uma região bem valorizada. Entramos no Museo Nacional de Bellas Artes e fugimos de todas as obras clássicas porque nossa veia artística estava cansada. Tinha uma exposição legal sobre a revista esquerdinha Claridad, que existiu por volta de 1920 e era feita por colaboradores, muitos deles proletários.

Depois disso, resolvemos voltar para San Telmo, não sem antes dar uma parada na Plaza de Mayo para ver a Casa Rosada e o Cabildo à noite. Tudo bem que eu já tinha visto, mas a Mari precisava conhecer. Fomos num café pertinho da casa dos dudes. Comi um sanduíche de milanesa (eles comem milanesa com tudo) e papeamos por boas horas para matar a saudade de Floripa.
Dia 3 – “Mari, por favor, não me deixa mais comprar nada da Mafalda”

1. Feirinha de San Telmo vista da sacada da casa da Ingrid e do Gio 2. “Carlos Gardel Vive”
Domingo é o dia da feirinha de San Telmo, que fica simplesmente na rua da Ingrid e do Giovanni. Perdemos umas boas duas horas naquele mar de turista olhando bolsas em couro florido, quadrinhos com fotos de tango e tudo com desenhos do Quino. Na calle Defensa também fica o Mercado de San Telmo (que tem mais tiendas de antiguidades do que qualquer outra coisa) e o banco da Malfada (deixamos para tirar foto outro dia, pois tinha uma fila enoorme).

Almocinho caseiro entre a feirinha de San Telmo e Puerto Madero. Sim, essa obra de arte do timer é a única foto do grupo reunido!
Íamos também na Feria de Mataderos, mas desistimos porque tínhamos deixado para ir de tarde e descobrimos que era mais legal ir de manhã para ver as apresentações de danças típicas. Em vez disso, passeamos pelo Puerto Madero. Uma caminhada agradável ao lado de um canal do rio La Plata. Ali foi o primeiro porto da cidade e em algum momento da vida foi revitalizado e virou uma área nobre. De um lado do canal, a universidade católica (puros cuícos) e restaurantes carésimos. Do outro, prédios bonitões e hotéis bem do nosso nível, como o Hilton. E, ali no meio, a Punte de la Mujer (nome dado por uma feminista, só pode, já que a ponte representa um casal dançando tango).

O rico Puerto Madero e, no fundo, a Puente de la Mujer.
Andamos até a Floralis Genérica (escultura em aço de uma flor que abria ao nascer do sol e fechava à noite, mas quebrou). Voltamos para San Telmo para colocar roupas mais quentes fazer meu check-in no hostel, porque eu e a Mari dividimos os dias para dormir na casa de mais de 100 anos da Ingrid e do Gio. De lá, fomos para um asado na casa de (preste atenção porque é complicado) uns porteños amigos do mexicano amigo do casal já tão citado nesse post. Aleatório, mas divertido. Mari, Ingrid e eu escapamos de sambar na frente de todo mundo por falta da música apropriada e de youtube também.
Dormi com um casal de amigos colombianos na minha primeira experiência em hostel. O lugar era bem arrumadinho e decorado com o tema tango (afinal, o nome do hostel era Carlos Gardel). A única parte ruim foi morrer de frio durante a noite (manta não muito quente). Tava tão frio em Buenos Aires e a Ingrid usava tantas roupas ao mesmo tempo que eu só me perguntava como seria o inverno.
“Em breve”: eu e a Mari sendo assaltadas no Caminito (La Boca), minha surpresa com o Abaporu e o voo perdido. Ou não.

Foto bônus: o casal mais gente boa da Argentina (obrigada por todo o doce de leite!)